Tão partida como perfeita, brilhas no meu quarto como uma estrela cor-de-feno, quarto onde as luzes não acendem, pois as lâmpadas estão fundidas, onde os olhares são surdos e onde infelizmente ninguém lhe sabe devolver iluminação. Sinto-me bem por conseguir finalmente ver as paredes, que coitadas, ainda choram quando me vêem, o tecto, que tão rachado que está que a sua queda adivinha-se para breve e os retratos, tão limpos e sem expressão, que ainda me olham como eu me lembrava.
De certa forma, não é assim tão mau que não queiras ficar cá dentro. Lembrei-me que prefiro não saber que as paredes choram, que os retratos me julgam e que o tecto não tarda em esmagar-me. Lembrei-me que, se ficares, corres o risco de partilhar o meu fado. Mas, um tanto egoísta, preferia que me desses a mão e que a tragédia nos chegasse ao mesmo tempo, que caíssemos juntos e que juntos nos levantássemos, minha estrela cor-de-feno.
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