terça-feira, 27 de abril de 2010

Cromos e cadernetas

Perdoem-me a arrogância, mas porque são todos iguais?
Porque respondem todos da mesma forma ao sorriso "Colgate" que certa figura larga a um ninguém em milhões? Começo a não suportar este inóspito ambiente de desprezo pela arte e cultura e de admiração pela falta de originalidade.
Será assim tão fácil manipular um grupo de pessoas? Será que é apenas necessário atirar uma colher ao corvo para ele sair do ninho?
Gostava que por momentos no mundo todos tivessem olhos que não seus. Assim podiam ver o quão ridiculos são. Aqui ninguém é "muita bom" embora todos se julgem "trés spécial". Seguem todos o mesmo percurso, vivem, seguem a manada e morrem. E ninguém irá querer saber, já que ainda existem tantos iguais. São como cromos repetidos, tenho uma caixa cheia deles e me importava de os perder todos. No entanto, o objectivo é exactamente esse. É ser um cromo repetido, apenas porque cromos repetidos só gostam de cromos repetidos.

Vivam felizes, e não me "rasguem" por não ser da vossa "caixa"

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Preto no branco.

Uma árvore num imenso deserto,
Uma nuvem no céu aberto.
Homem que ouve num mundo de surdos,
Homem que vê num pais de cegos.

Têm em comum não o serem,
Não pertencem onde estão nem estão onde pertecem.
Deslocados e desviados, sozinhos e solitários.
Sorriem na luz, choram no escuro.

Choram porque não existe outra árvore,
Porque não existe outra nuvem.
Porque não existe quem oiça o que se diz.
Porque não existe quem veja o que se vê.

Está escrito, veja quem quiser ver,
Oiça quem quiser ouvir.
Olhem para a nuvem no céu
E Plantem-me uma arvore para eu puder sorrir.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Círculos

Fujo de mim próprio enquanto corro atrás da minha sombra. Sempre foi essa a minha vida.
Rotulam-me de louco ou insano porque vivo em círculos. Os circulos são figuras geométricas que não têm aparente inicio ou fim. São apenas circulos, reduzidos á sua infinidade numa pequena folha branca de papel. De facto habito esses "circulos". "Sigo-me" e "pressigo-me", "escapo-me" e "fujo-me". Parece impossível. Mas não é. Não quando o que procuro sou eu e ao mesmo tempo não me deixo encontrar.

domingo, 11 de abril de 2010

Love

Aspirava voar. No entanto, torna-se difícil consegui-lo enquanto acorrentado.
Todos os dias bate as suas longas e esplendorosas asas apenas para se relembrar que dali não sai.
Não sai nem nunca sairá. A chave que desencadeia as suas pesadas correntes perdeu-se na mágoas do passado. Perdeu-se para nenhum a encontrar, como se a própria chave se tivesse escondido para ser deixada em paz. Não é uma chave comum, não. Não é palpável ou sólida ou sequer um objecto. É chave apenas porque desempenha a função de o libertar e deixar ascender. Diz-se por ai que ele próprio pediu à chave que se escondesse, não para esta ser deixada em paz mas porque ele realmente não quer ser liberto. Está apaixonado pelas correntes.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Depois da Tempestade vem a Bonança

Vem ai tempestade. Fortes ventos de mudança ameaçam romper pelo interior da minha consciência e devastar o que lá se encontra. Mas eu quero essa tempestade.
Sinto-me cansado de mim próprio, preciso de fugir, fugir de dentro de mim.
Não suporto mais este desejo. Preciso de mudar.
Abro-me então à tempestade e que venha o que vier e leve o que levar.
Que nada sobre e que tudo vá, para eu puder semear de novo os campos da minha existência e emergir então como me quero.
Falta-me apenas alguém que me regue diariamente.

Mudar não é melhor nem pior, é mudar.

sábado, 3 de abril de 2010

Justice - How just is it?

Sempre defendi o que é justo. Mas nunca pensei que o injusto fosse tão rude e cruel.
Quando pensava que a maior dor era a de perder alguém de quem gostamos sem o puder evitar ou por culpa nossa, fui surpreendido ao denotar que não existe pior sentimento do que o de perder alguém sem nossa ser a culpa. Nunca me senti tão de-mãos-atadas como me sinto hoje. Puxaram-me o tapete e eu vejo-me instantaneamente a cair de costas e a contemplar o tecto. É branco. Deixei-me ficar no chão e pensei. Pensei e repensei até não encontrar explicação para o sucedido. Sou de facto o único culpado, mas também não tenho a culpa. Embora demasiado hipérbole seja esta comparação, sinto-me como um inocente no corredor da morte. Sem esperança, a arrepender-se e a pedir desculpa pelo que não fez. Pergunto-me a mim mesmo se não terei mesmo cometido o erro. Se calhar era mais facíl se tivesse. Mas não cometi. No entanto o que interessa isso quando a lâmina da gilhotina continua a descer a uma velocidade trepidante? Não interessa nada. Dizem que todos são inocentes até prova contrária. Mas quando as provas estão contra ti, tu, tu és o culpado.

O Herói de uns é o Vilão de outros
Peço desculpa pelo que não fiz.