segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Estupidez

Sou inconstante,
Constante e bastante,
Não sei ser um,
Nem sei ser nenhum.

Do baço vidro deliro,
Olho e admiro,
Com tanto pensar,
Que não tarda pesar.

Estúpido feliz,
Pois ser estúpido não é o que se diz,
É ter a noção e ignorar,
E ai o estúpido, ninguém pode culpar.

Estupidifiquem-me então!
Tornem duro meu coração,
Vandalizem-me a inteligência,
Pois suga-me a essência.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Páginas Brancas

Peguei o pesado livro, contemplei a capa, como se nela procurasse um espelho do seu conteúdo. Abri e cuidadosamente lí as páginas brancas. Um verdadeiro espectáculo. Todas as letras que podiam ter sido escritas e consequentemente carregadas de intenso sentimento, foram atenciosamente evitadas, de tal modo que não se via uma sequer no livro inteiro!
Á medida que vorazmente folheava e devorava tamanho nada, tudo me surgiu. Tudo o que não está escrito nesta resma invocou em mim, o seu ávido leitor, uma infinidade de sentimentos e pensamentos. Curioso, como esta coisa, que nem título tem, me causou tamanha ansiedade, enorme percepção.
Na verdade, o livro não é escrito. O livro escreve. Todo aquele branco vazio escreveu-me de tal forma que me mudou completamente. Escreveu sobre mim, e escreveu o mais explicito texto de se ler. E depois...
Depois deu-me a caneta.

domingo, 3 de outubro de 2010

Humanity is not inteligent, some Men are.

Nascidos para Animosidade,
Em tenra idade o Instinto comanda,
Partir e quebrar, com falta de bondade
Querer e ter, como quem em tudo manda.

Não somos meros animais,
Bem, alguns não o são,
Enquanto outros são como os demais,
Vivem do impulso e da falta de razão.

Olhei o fundo da rua,
Onde decorria luta fria e crua,
Descontrolo, Raiva, Violência,
Num momento que faltou Educação e Decência.

Escorria o sangue, sorria a Audiência,
Grotescas criaturas, sedentas de Vermelho,
Alimentam-se de Tragédia e de falsa Indulgência,
Selvagens! - Gritou o velho.

O azul e o vermelho surgiram na rua,
Vociferando ameaças, sempre debaixo de Máscaras,
Protectores da paz, distribuindo Violência crua,
Afastei-me, cansei-me daquelas caras.

No outro lado da rua, um rapaz Solitário,
Escondia com um livro, lágrimas de vergonha.
Aproximei-me: - Explica-me o choro precário.
- Onde queres que a ponha?

Trémolo, indicou-me a luta.

Está putrida, a Inteligência,
Substituida por Decadência.
Abandonada a Cultura,
Em prol da Manícura.

Rebanho sem pastor,
Dotado de pura Estupidez,
Seguem-se com fulgor,
Até Morrerem de vez.