Esqueci-me de ser eu. Estou dormente, um pouco doente talvez. Estou pálido, exilado do Sol. Já nem te vejo, visão enfraquece. Corpo estremece, sofre de frio. Esquece. É redundante, toda esta falta, abundante.
-Este cheiro, é familiar. - sussuras-me docemente - É gás.
-Tens lume? - perguntei, passando-te a mão no rosto.
-Tenho. - olhaste-me, esperançosa - Que nos expluda fora daqui.
-Segura-me, coração.
Combustão. É lindo, o fogo. O tons cintilantes de amarelo, laranja e destruição. É confortável, de certa forma. Arde, arde, arde. Queima-me, acorda-me. Lembrei-me de ser eu, mas o tempo está perdido. Parti o ponteiro, já não marca minutos. Perdi-me nas horas, por causa de segundos.