quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Home is my place of staying

Ah, e eis que me volta, tão diferente e soberba, de tão controversas origens, toda esta lírica que me enche os dedos de palavras onde me esconder. Sabe bem estar em casa, escondido de todas as agressões do meio que me é exterior, seguro por saber que aqui trovões não caem, nem árvores, nem eu. Aqui dentro, tudo é perfeito. As mesas têm os cantos protegidos e o chão é alcatifado para não me esfolar. Aqui dentro, tu não falas e eu sou surdo, tu não tens cara e eu sou cego. Nem sei porque fui à rua. Já sabia que ia chover.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Num dia, fiquei de férias, vi um concerto fantástico e pedi-te o que de melhor tens para me dar.
Foi um dia tão bom, tão feliz. Foi um dia perfeito.
Foi o dia em que tu me disseste que o meu lugar é contigo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Late night heart ache

São nestas tardias horas que a consciência me deixa, que o coração rompe as cordas que o prendem e ascende ao vácuo deixado pela razão. São nestas horas em que ele é toda a fonte do meu pensar, do meu olhar, do meu gritar e de tudo o que não devia ser liberto para sentir. Enche-me do mais ingénuo horror, da mais bela catástrofe.
Tanto medo...Estou para além do ponto de inflexão da vida, já desço a parábola em direcção às brumas da maré.Que me levem, que me tirem lentamente de mim próprio. Murchei, petrifiquei. Já só me resta balbuciar palavras sem nexo, como as que tão tremulamente escrevo aqui, numa desesperada tentativa de alivar o peso da bigorna que tenho presa à cabeça. Estou tão farto. O que eu guardo não é bom? Não te chega? Desculpa, não funcionou. Se calhar fui eu que não mostrei o que tenho, tens o aspecto de um comum ladrão de esquina, que me assalta de arma na mão e terror no coração e que me leva o que é meu sem pedir, não te ia mostrar o que tenho, rouba-amores. Não te vou contar onde está...
Agora treme, o meu braço. Espasmos a pedir descanso e calor, que o tempo anda frio e cinzento e as camas parecem feitas de agulhas e berbequins. A água da chuva escorre-me pelo nariz abaixo até chegar à ponta, de onde se percepita apenas para encontrar um duro chão de cimento. Mais cinzento, óptimo.
Despeço-me deste poço da agonia, de amores perdidos e bancos abandonados, com o simples desejo de que, ao longo das vossas vidas, meus ilustres camaradas, sejam muitíssimo felizes.

O tempo passa-me, indiferente.

Nota: Este texto foi escrito há muito tempo e decidi finalmente publicá-lo.

domingo, 17 de julho de 2011

A maré revolve, os ventos invertem, a bandeira desce, um grito ecoa, bruto e violento de alívio.
Já mal chuvisca, estão secos os meus cabelos, lavados de todo o terror que brotava de mim. Agora, o Sol aquece, ameno, forte mas sereno e seca-me estes cansados sapatos. Finalmente. Os meus tornozelos já mal se aguentavam em cima de uma sola tão bárbara e inflexível, metade borracha, metade dor. A água lava-me morno, despido de emoções e cheio de vontade de me vestir, partir e ficar. Deixar-me ir, volátil. Deixar-me ir dentro de mim e visitar todos os recantos do mundo, sem nunca sair do meu lugar, ser um todo comigo próprio só por olhar para a janela e te ver lá, alegria.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sting me like a bee

Torna-se díficil. Os sussurros estão mudos ou, talvez, seja eu que estou surdo. Não sei, não importa. A razão quebra-se, esgota-se, cai no poço que abriste em mim. Já não lhe vejo o rosto, está queimado, o corpo, lacerado. A minha razão morreu e quem a matou fui eu.

Pardon.

sexta-feira, 20 de maio de 2011


You've left me here, broken. And here shall I remain until the broom sweeps me over.
...Or until your warm, gentle touch unites me and myself once again...

domingo, 1 de maio de 2011

"As touradas são como assar o touro em vida, tortura-se o animal enquanto o público aplaude a sua mísera morte."

In
Memorial do Convento