Esqueci-me de ser eu. Estou dormente, um pouco doente talvez. Estou pálido, exilado do Sol. Já nem te vejo, visão enfraquece. Corpo estremece, sofre de frio. Esquece. É redundante, toda esta falta, abundante.
-Este cheiro, é familiar. - sussuras-me docemente - É gás.
-Tens lume? - perguntei, passando-te a mão no rosto.
-Tenho. - olhaste-me, esperançosa - Que nos expluda fora daqui.
-Segura-me, coração.
Combustão. É lindo, o fogo. O tons cintilantes de amarelo, laranja e destruição. É confortável, de certa forma. Arde, arde, arde. Queima-me, acorda-me. Lembrei-me de ser eu, mas o tempo está perdido. Parti o ponteiro, já não marca minutos. Perdi-me nas horas, por causa de segundos.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Puzzle
Abril mágoas mil. Chove lembrança do que não houve, ensopa-me em águas mortas, correntes incoerentes, turbulentas. Partiste-me o vidro, tiraste-me o fusível e lâmpada não serei mais. Lâmpada decente nem fui, talvez. Faltou sempre aquela luminosa, liberta réstea de brilho que se turnou curtamente usual. Agora, molhado, baço, estou sem graça, a deliberar tudo o que causou o causado.
Fui eu? Matei-o com toda esta mórbida apatia que tão comumente se apodera de mim? Ou foste tu que o mataste quando o brilho cessou e te viste a ti? Aqueles fios castanhos ondulantes, aquele olhar denso e penetrante, todo o teu retrato, perfeitamente incomum, incomumente perfeito, dócilmente reflectido nos cacos do vidro por ti estilhaçado. O teu sorriso desfaz-se. O teu olhar embacia-se. O teu calor dispersa-se. Já não há amor que faça luz.
Deixa-me entre brasas ocas, risos ardentes. Fui aceso por sete sublimes dias.
Fui eu? Matei-o com toda esta mórbida apatia que tão comumente se apodera de mim? Ou foste tu que o mataste quando o brilho cessou e te viste a ti? Aqueles fios castanhos ondulantes, aquele olhar denso e penetrante, todo o teu retrato, perfeitamente incomum, incomumente perfeito, dócilmente reflectido nos cacos do vidro por ti estilhaçado. O teu sorriso desfaz-se. O teu olhar embacia-se. O teu calor dispersa-se. Já não há amor que faça luz.
Deixa-me entre brasas ocas, risos ardentes. Fui aceso por sete sublimes dias.
terça-feira, 22 de março de 2011
Heart-Shaped Box
No parapeito, em desequilibro,
Balanças, sereno e doloroso,
Despido de qualquer brio,
Tremes tenebroso.
E quando dou por ti,
Engelhado de tanta espera,
Recordo os muros que subi
Para te soltar, minha fera.
Explosiva felicidade,
Mergulhaste em pura maldade,
E quando a verdade te mentiu,
Viste que o teu mundo caiu.
Sei onde estás
Mas ainda hoje te procuro
Estás onde tudo jaz,
O passado, o presente, o futuro.
Balanças, sereno e doloroso,
Despido de qualquer brio,
Tremes tenebroso.
E quando dou por ti,
Engelhado de tanta espera,
Recordo os muros que subi
Para te soltar, minha fera.
Explosiva felicidade,
Mergulhaste em pura maldade,
E quando a verdade te mentiu,
Viste que o teu mundo caiu.
Sei onde estás
Mas ainda hoje te procuro
Estás onde tudo jaz,
O passado, o presente, o futuro.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Shine on you crazy diamond
Sol nasce, Sol brilha um esplendor dourado que não tarda em banhar a minha face com aquela pura sensação de energia e vida, pelo qual tão reconhecido é. Levanto-me, sinto a ausência daquele frio tão frio que penetra para além de todas as peles, de todos os ossos, de toda a matéria, um frio tão frio que penetra, enrigece, enfraquece, estilhaça, que quebra tudo o que é alma num ser, que deixa abandonadas pálidas criaturas que carenciam o sublíme brilho matinal. E eis que ele voltou de novo, puxando de mim toda aquela opacidade que roubava brilhos sem pedir, todo aquele gelo que me roubou o ser com muito gemer. E eis que eu volto de novo, brilhante, radiante. E não, o Sol nunca brilhou menos nem nunca brilhou mais, nem nunca isso mudará, não grites, que eu não sou surdo.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Old John Is Back
E foi-se. Tão depressa me senti cheio que tão depressa fiquei vazio.
Que lástima. Era tão infantil, tão ingénuo, tão... perfeito.
O brilho, a gargalhada, a subtileza, a pureza no olhar,
Cairam em águas fundas, muito profundas,
Presos pela âncora a que os amarrei, eles, todos eles
Irão morrer afogados na ansiedade que cultivei.
Que lástima. Era tão infantil, tão ingénuo, tão... perfeito.
O brilho, a gargalhada, a subtileza, a pureza no olhar,
Cairam em águas fundas, muito profundas,
Presos pela âncora a que os amarrei, eles, todos eles
Irão morrer afogados na ansiedade que cultivei.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Cross-shapped bullet
The word of Christ pierces your heart like a bullet
And wrecks your mind into ignorance,
The praise of Allah charges you with a strenght
that makes your eyes and hands thirst for blood.
Why must your god be such an unforgiving fool
That clusters you into a coffin of deep dark black?
And there, in the holy darkness,
You shall be driven into madness and corruption.
And all in exchange of grain a of faith
And promises of false salvation.
Allow me to ask you:
What if heaven is a place on Earth
And there is nothing expecting your demise?
Why live your life in doubtful expectations
While everything you could ever need
Lies before your enraged eyes?
Religion was created by fear
As a way of not facing it
"But a man who lives fully,
is always ready to die".
And wrecks your mind into ignorance,
The praise of Allah charges you with a strenght
that makes your eyes and hands thirst for blood.
Why must your god be such an unforgiving fool
That clusters you into a coffin of deep dark black?
And there, in the holy darkness,
You shall be driven into madness and corruption.
And all in exchange of grain a of faith
And promises of false salvation.
Allow me to ask you:
What if heaven is a place on Earth
And there is nothing expecting your demise?
Why live your life in doubtful expectations
While everything you could ever need
Lies before your enraged eyes?
Religion was created by fear
As a way of not facing it
"But a man who lives fully,
is always ready to die".
Jack Lowe
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Voa voa Joaninha, voa voa
Bate constante o "tic" do relógio. Cada um mais ansioso do que o outro.
Paciente, aguardo o que certamente me espera. Mas estou pronto.
Estou pronto para te tirar da palma das minhas cansadas mãos e te deixar voar livremente.
A verdade é que já me serviste mais do que a servidão serviu o mestre.
E quem sou eu para negar tamanho prazer ao sortudo onde vais pousar?
Voa então, mas não voes para longe, para que me possas ouvir quando por ti gritar.
Paciente, aguardo o que certamente me espera. Mas estou pronto.
Estou pronto para te tirar da palma das minhas cansadas mãos e te deixar voar livremente.
A verdade é que já me serviste mais do que a servidão serviu o mestre.
E quem sou eu para negar tamanho prazer ao sortudo onde vais pousar?
Voa então, mas não voes para longe, para que me possas ouvir quando por ti gritar.
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