You've left me here, broken. And here shall I remain until the broom sweeps me over. ...Or until your warm, gentle touch unites me and myself once again...
domingo, 1 de maio de 2011
"As touradas são como assar o touro em vida, tortura-se o animal enquanto o público aplaude a sua mísera morte."
Esqueci-me de ser eu. Estou dormente, um pouco doente talvez. Estou pálido, exilado do Sol. Já nem te vejo, visão enfraquece. Corpo estremece, sofre de frio. Esquece. É redundante, toda esta falta, abundante. -Este cheiro, é familiar. - sussuras-me docemente - É gás. -Tens lume? - perguntei, passando-te a mão no rosto. -Tenho. - olhaste-me, esperançosa - Que nos expluda fora daqui. -Segura-me, coração. Combustão. É lindo, o fogo. O tons cintilantes de amarelo, laranja e destruição. É confortável, de certa forma. Arde, arde, arde. Queima-me, acorda-me. Lembrei-me de ser eu, mas o tempo está perdido. Parti o ponteiro, já não marca minutos. Perdi-me nas horas, por causa de segundos.
Abril mágoas mil. Chove lembrança do que não houve, ensopa-me em águas mortas, correntes incoerentes, turbulentas. Partiste-me o vidro, tiraste-me o fusível e lâmpada não serei mais. Lâmpada decente nem fui, talvez. Faltou sempre aquela luminosa, liberta réstea de brilho que se turnou curtamente usual. Agora, molhado, baço, estou sem graça, a deliberar tudo o que causou o causado. Fui eu? Matei-o com toda esta mórbida apatia que tão comumente se apodera de mim? Ou foste tu que o mataste quando o brilho cessou e te viste a ti? Aqueles fios castanhos ondulantes, aquele olhar denso e penetrante, todo o teu retrato, perfeitamente incomum, incomumente perfeito, dócilmente reflectido nos cacos do vidro por ti estilhaçado. O teu sorriso desfaz-se. O teu olhar embacia-se. O teu calor dispersa-se. Já não há amor que faça luz. Deixa-me entre brasas ocas, risos ardentes. Fui aceso por sete sublimes dias.
Sol nasce, Sol brilha um esplendor dourado que não tarda em banhar a minha face com aquela pura sensação de energia e vida, pelo qual tão reconhecido é. Levanto-me, sinto a ausência daquele frio tão frio que penetra para além de todas as peles, de todos os ossos, de toda a matéria, um frio tão frio que penetra, enrigece, enfraquece, estilhaça, que quebra tudo o que é alma num ser, que deixa abandonadas pálidas criaturas que carenciam o sublíme brilho matinal. E eis que ele voltou de novo, puxando de mim toda aquela opacidade que roubava brilhos sem pedir, todo aquele gelo que me roubou o ser com muito gemer. E eis que eu volto de novo, brilhante, radiante. E não, o Sol nunca brilhou menos nem nunca brilhou mais, nem nunca isso mudará, não grites, que eu não sou surdo.
E foi-se. Tão depressa me senti cheio que tão depressa fiquei vazio. Que lástima. Era tão infantil, tão ingénuo, tão... perfeito. O brilho, a gargalhada, a subtileza, a pureza no olhar, Cairam em águas fundas, muito profundas, Presos pela âncora a que os amarrei, eles, todos eles Irão morrer afogados na ansiedade que cultivei.