Torna-se díficil. Os sussurros estão mudos ou, talvez, seja eu que estou surdo. Não sei, não importa. A razão quebra-se, esgota-se, cai no poço que abriste em mim. Já não lhe vejo o rosto, está queimado, o corpo, lacerado. A minha razão morreu e quem a matou fui eu.
Pardon.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Explosions deep inside
Esqueci-me de ser eu. Estou dormente, um pouco doente talvez. Estou pálido, exilado do Sol. Já nem te vejo, visão enfraquece. Corpo estremece, sofre de frio. Esquece. É redundante, toda esta falta, abundante.
-Este cheiro, é familiar. - sussuras-me docemente - É gás.
-Tens lume? - perguntei, passando-te a mão no rosto.
-Tenho. - olhaste-me, esperançosa - Que nos expluda fora daqui.
-Segura-me, coração.
Combustão. É lindo, o fogo. O tons cintilantes de amarelo, laranja e destruição. É confortável, de certa forma. Arde, arde, arde. Queima-me, acorda-me. Lembrei-me de ser eu, mas o tempo está perdido. Parti o ponteiro, já não marca minutos. Perdi-me nas horas, por causa de segundos.
-Este cheiro, é familiar. - sussuras-me docemente - É gás.
-Tens lume? - perguntei, passando-te a mão no rosto.
-Tenho. - olhaste-me, esperançosa - Que nos expluda fora daqui.
-Segura-me, coração.
Combustão. É lindo, o fogo. O tons cintilantes de amarelo, laranja e destruição. É confortável, de certa forma. Arde, arde, arde. Queima-me, acorda-me. Lembrei-me de ser eu, mas o tempo está perdido. Parti o ponteiro, já não marca minutos. Perdi-me nas horas, por causa de segundos.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Puzzle
Abril mágoas mil. Chove lembrança do que não houve, ensopa-me em águas mortas, correntes incoerentes, turbulentas. Partiste-me o vidro, tiraste-me o fusível e lâmpada não serei mais. Lâmpada decente nem fui, talvez. Faltou sempre aquela luminosa, liberta réstea de brilho que se turnou curtamente usual. Agora, molhado, baço, estou sem graça, a deliberar tudo o que causou o causado.
Fui eu? Matei-o com toda esta mórbida apatia que tão comumente se apodera de mim? Ou foste tu que o mataste quando o brilho cessou e te viste a ti? Aqueles fios castanhos ondulantes, aquele olhar denso e penetrante, todo o teu retrato, perfeitamente incomum, incomumente perfeito, dócilmente reflectido nos cacos do vidro por ti estilhaçado. O teu sorriso desfaz-se. O teu olhar embacia-se. O teu calor dispersa-se. Já não há amor que faça luz.
Deixa-me entre brasas ocas, risos ardentes. Fui aceso por sete sublimes dias.
Fui eu? Matei-o com toda esta mórbida apatia que tão comumente se apodera de mim? Ou foste tu que o mataste quando o brilho cessou e te viste a ti? Aqueles fios castanhos ondulantes, aquele olhar denso e penetrante, todo o teu retrato, perfeitamente incomum, incomumente perfeito, dócilmente reflectido nos cacos do vidro por ti estilhaçado. O teu sorriso desfaz-se. O teu olhar embacia-se. O teu calor dispersa-se. Já não há amor que faça luz.
Deixa-me entre brasas ocas, risos ardentes. Fui aceso por sete sublimes dias.
terça-feira, 22 de março de 2011
Heart-Shaped Box
No parapeito, em desequilibro,
Balanças, sereno e doloroso,
Despido de qualquer brio,
Tremes tenebroso.
E quando dou por ti,
Engelhado de tanta espera,
Recordo os muros que subi
Para te soltar, minha fera.
Explosiva felicidade,
Mergulhaste em pura maldade,
E quando a verdade te mentiu,
Viste que o teu mundo caiu.
Sei onde estás
Mas ainda hoje te procuro
Estás onde tudo jaz,
O passado, o presente, o futuro.
Balanças, sereno e doloroso,
Despido de qualquer brio,
Tremes tenebroso.
E quando dou por ti,
Engelhado de tanta espera,
Recordo os muros que subi
Para te soltar, minha fera.
Explosiva felicidade,
Mergulhaste em pura maldade,
E quando a verdade te mentiu,
Viste que o teu mundo caiu.
Sei onde estás
Mas ainda hoje te procuro
Estás onde tudo jaz,
O passado, o presente, o futuro.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Shine on you crazy diamond
Sol nasce, Sol brilha um esplendor dourado que não tarda em banhar a minha face com aquela pura sensação de energia e vida, pelo qual tão reconhecido é. Levanto-me, sinto a ausência daquele frio tão frio que penetra para além de todas as peles, de todos os ossos, de toda a matéria, um frio tão frio que penetra, enrigece, enfraquece, estilhaça, que quebra tudo o que é alma num ser, que deixa abandonadas pálidas criaturas que carenciam o sublíme brilho matinal. E eis que ele voltou de novo, puxando de mim toda aquela opacidade que roubava brilhos sem pedir, todo aquele gelo que me roubou o ser com muito gemer. E eis que eu volto de novo, brilhante, radiante. E não, o Sol nunca brilhou menos nem nunca brilhou mais, nem nunca isso mudará, não grites, que eu não sou surdo.
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