segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Time

Tudo o que passei, tudo o que ri, tudo o que chorei, tudo o que amei, tudo o que odiei, parece em vão quando olho para trás. Porquê que ri e chorei? Porquê que amei e odiei? Junto este par de perguntas ao gargantuano grupo de suas semelhantes, que da boca de todos já sairam pelo menos uma vez. A verdade, é que não podemos procurar explicar o inexplicável. É frustrante. É desconcentrante. É doloroso. E porque temos nós tendência em seguir a pior das ideias? Por muito única que a qualidade do ser humano de pensar e de racicionar seja, e por muito beneficio que lhe traga, temos que admitir que é deveras torturante para quem ousa de facto pensar. Pensar implica muito. Implica demais. Implica dúvida e consciência, enquanto que o frágil ambiente (não, não estou a falar de àrvores e lobos) em que vivemos não permite tal esforço, pois a sua fragilidade é de tal modo acentuada que o mínimo pensamento revela todos os seus defeitos. E é aqui que se põe a grande questão: Ignorar e ser feliz ou vice-versa?
Por tempo demais habitei o inóspito vice-versa. E não recomendo. No entanto, ser um autêntico energúmeno também não é de grande proveito. Para além de se tornar insuportavél para quem não o é. Então o que fazer? A solução é obvia. Concertar as tamanhas fragilidades. Crescer e aprender a viver com as que sobram. E quanto aos sentimentos passados, na sua dada altura, foram intensos, e claro, sentidos. Não vale a pena debater o que está feito e o que foi sentido, pois as razões para tudo o que já se deu, esvaneceram-se nas areias da memória. Por outro lado, não é só o passado que é mexido e remexido. Também o futuro é mexido e pré-mexido. Existe a grave tendência de o predefinir com os nossos sonhos e pesadelos, com os nossos medos e esperanças. A verdade é que o futuro nunca será o que se espera, seja isso bom ou mau. Constroí-se do presente e irá resultar da combinação de todos os factores que o antecedem, e só será o que se fizer dele. No fundo, a verdade, é que a felicidade está no meio da ampulheta.
O que interessa é o momento, vive-o.
Carpe diem

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Mar

Muitos te definem como uma infinidade de perfeição, como algo onde a energia e a tranquilidade ,andam de mãos dadas até o sol se por para dar lugar à paz e à beleza que é o teu rosto sob o luar.
Sim, isso tudo é verdade. Mas não podes de maneira nenhuma ser visto apenas dessa forma.
Temos que conseguir ver para além das ondas que compõem o teu rosto e do reflexo que te dá cor.
Eu consigo ver. Consigo ver o cansaço e a vastidão das tuas lágrimas, que formam tão delicada união com a terra, que as seca pouco a pouco da teu imenso rosto, á medida que elas escorrem.
Compreendo a tua turbulência e a tua cólera, compreendo que são necessárias para te protegeres de certos males. E apesar de tamanha fraqueza nas tuas profundezas, consegues sempre apresentar-te dócil e resistente. E talvez não sejas de facto tão fraco como pensas, pois os fracos vão abaixo. Tu não. Tu vens e vais e vais e vens sempre com a mesma força e intensidade. Aconteça o que acontecer todos sabem que vais estar lá, seja debaixo do quente sol de verão ou da fria lua do inverno.
E a verdade é que ninguém te consegue olhar com os mesmo olhos de outros. E só agora é que entendi o porquê disso. Tu apenas reflectes as pessoas, e de facto, ninguém é igual.

Desculpa se me desviei do que querias.
É todo teu Ana.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pela primeira vez na minha vida, pretendo desfilar nu perante uma vil e sedenta multidão que me aguarda com pás e forquilhas hasteadas. Dispo o meu escudo e enfrento-os pela primeira vez. No entanto, ao primeiro olhar malicioso, levanto de novo o meu conforto e protejo-me. E protejido permaneço, até que a mente me mande de joelhos contra a rocha e me encha de remorso. E de novo largo o meu glorioso escudo de batalha, e de novo me encho de medo.
Eles vão me matar - digo-me com sabedoria - vão me encher de palavras de aço e cortar pelo meu corpo despido. Agarra mas é nesse pedaço de texto e mente. E vive.
E obedeço-me. E imagino um sitio melhor, e como por magia, torno esse sitio real. E vivo nele até acordar e a cena se repetir. E ai, hei de imaginar outro.
Eu quero mesmo deixar de usar escudo, mas tenho medo de morrer.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A dor do só faz turvo o que é claro.
Não tenho nada a acrescentar. Ciao.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Gourmet

Quero olhar-te no castanho e dizer-te o que é preciso. E diria, se não pesassem as consequências.
Eu sei que tu sabes o que eu te quero dizer. No fundo, quero que leias isto e saibas que é para ti, quero que sintas as letras, as palavras, as frases e as entre-linhas. Na minha sincera opinião, não compreendo a natureza de certos momentos. Sei apenas que são bons. São muito bons. Mas parece que falta algo. Ou que tem algo a mais. Talvez sejam para ser assim mesmo, com aquela amarga pitada de incerteza e nervosismo, para cortar o forte sabor do resto das emoções. E infelizmente, como a cozinha moderna implica, todas as refeições que queiram ter o prazer de se adjectivarem saborosas e requintadas têm que vir em pequenas quantidades. É verdade que o que é demais enjoa, não o nego. Mas o que é a menos magoa. A verdade é essa e ninguém a diz, e para quem tem o estomago tão mal habituado como o meu, mais falta tu me fazes.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Obtusidade

Sinto-me cansado, no entanto parece-me o momento ideal para escrever.
O que és tu, que me invades o pensamento e me obrigas a expressar o que me vai na alma?
Não tenho vontade de partilhar este texto com outros. Mas sinto a necessidade de o escrever e de não o guardar para mim. Pois este escrito é pesado, e para fazer peso já tenho que me chegue.
Infelizmente, não sou pessoa para dar certezas, pois estas acarretam riscos demais. Talvez riscos que tenham que ser tomados, mas seja como for, pareço preferir a incerteza que a desilusão. Não me posso esquecer, no entanto, que pode não ser desilusão o que me espera.
Está na hora do tudo ou nada.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Think

Este mundo é um sitio sem sentido. De modo que, para ser habitável, os seus habitantes têm que abdicar da sua vida. Dizem-me então que nascemos para trabalhar sem parar ou para passar fome?
Cada vez mais aparenta ser essa a realidade, no entanto, quero rejeitar que seja essa a única solução. Aliás, esta situação aumenta gradualmente de dimensões e ameaça atingir um grau sem solução. A verdade é que não existe de facto, alguma coisa que alguém possa fazer. Mas pode-se deixar de fazer. Parece escapar a muitos que o não fazer nada pode ser o maior acto possivel. O ser humano leva um modo de vida berrante, exagerado e contrastado, desde o homem que trabalha 14 horas por dia até ao que morre de fome noutro canto do mundo. Mas não é do facto de trabalharem ou morrerem à fome de que falo. Falo do que causa essas circunstâncias. Falo dos automóveis, dos arranha-céus e doutras inuteís obras de engenharia moderna ou até do mais simples telemóvel. Claro que oferecem vantagens para além das contáveis com os dedos mas o que nos tiram? Tiram vidas, pois viver não é apenas ter um coração que bate, viver é conseguir gozar num dado momento o simples facto de estar vivo. Isto já não existe. É rara a pessoa que pode honestamente afirmar que tem oportunidade de fazer isto pelo menos uma vez por dia. Em função daquelas vantagens supramencionadas surgem estas desvantagens. No fundo todos concordam que talvez não valha a pena. Mas ninguém abdica dessas pequenas vantagens.
Porquê? Têm medo de viver?

It's getting way too late